Bradesco mantém silêncio sobre onda de demissões e desrespeito a trabalhadores

Bradesco mantém silêncio sobre onda de demissões e desrespeito a trabalhadores

Apesar de inúmeros requerimentos e denúncias feitos pelo Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO), e até mesmo matérias jornalísticas que chegam a conhecimento público, O Bradesco continua mantendo o silêncio a respeito da onda de demissões promovidas nos últimos meses em Rondônia, e do desrespeito e descaso com os direitos dos trabalhadores que são sumariamente desligados sem o menor pudor.

Exemplo disso são os casos de duas funcionárias demitidas, no mesmo dia, e ambas com mais de 30 anos de dedicação à mesma profissão de bancária. A primeira é uma funcionária da agência Prudente de Morais (Centro de Porto Velho) que dedicou 32 anos de sua vida à profissão de bancária, foi diagnosticada como ‘inapta’ pelo perito médico do próprio banco, e mesmo assim foi demitida. O Sindicato, ao constatar que a demissão era ilegal, entrou em contato com o Departamento de Relações Sindicais do Bradesco, exigindo que a demissão fosse revogada mas, até o momento, o banco não deu qualquer resposta ao Sindicato ou à funcionária, que continua em angústia por não saber sua real situação ou o seu futuro profissional.

O outro caso é o de uma bancária da agência da avenida Carlos Gomes, também no Centro, que ao fazer exame periódico, foi diagnosticada pelo médico do banco como ‘inapta’. E mesmo com o resultado do atestado do perito do próprio Bradesco, e do laudo do ortopedista, o banco se recusa a abrir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), que afronta a lei e impede a trabalhadora de ter acesso aos seus direitos juntos ao INSS.

ONDA DE DEMISSÕES

Nem mesmo com um lucro líquido de R$ 10,263 bilhões, no 1º semestre de 2018 (o que representa crescimento de 9,7%, em relação ao mesmo período de 2017) o Bradesco é capaz de recuar na sua ‘sanha’ de promover demissões a seus funcionários e o fechamento de postos de trabalho. Em Rondônia, somente entre julho e agosto, muitos funcionários foram demitidos no Estado, sendo seis somente em agências da capital Porto Velho.

As demissões têm atingido principalmente quem tem décadas de vida de dedicação à instituição financeira ou os que são oriundos do extinto banco HSBC.

Em julho o Sindicato se reuniu com representantes do Bradesco em Rondônia, a fim de tratar da questão das demissões injustificadas que tem, sobretudo, contribuído para que o já precário atendimento ao público seja ampliado. Mas apesar da justificativa dada pelo banco, de que as demissões eram ‘pontuais’, elas continuam acontecendo e atingindo a todos os funcionários.

O Sindicato tem mantido uma vigilância de combate permanente contra essas demissões, muitas delas injustificadas ou ilegais (atinge lesionados, portadores de doenças ocupacionais, ou seja, adquiridas com o esforço repetitivo da atividade laboral), e por isso, só nos últimos quatro anos, conseguiu, via Justiça do Trabalho, a reintegração de mais de 20 funcionários, sejam do Bradesco, sejam do antigo HSBC, que foi comprado pelo Bradesco.

“Ainda assim é preocupante essa postura desumana do banco, que além de demitir pessoas que dedicaram a maior parte de suas vidas para trabalhar e garantir os lucros da instituição financeira - e que, em decorrência de uma rotina de pressão, de perseguição e desrespeito, adoeceram - também mantém o silêncio sobre os questionamentos do Sindicato, que exige respostas para dar tranquilidade e impedir um sofrimento maior a esses trabalhadores que sequer sabem se estão demitidos de fato, ou não, ou que querem apenas cuidar de sua saúde, e também para impedir novas demissões que apenas colaboram pela superlotação das agências e a precariedade no atendimento”, menciona José Pinheiro, presidente do SEEB-RO e funcionário do Bradesco.

Autor / Fonte: SEEB-RO

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