Editorial – Eleições 2018 em Rondônia: começou a temporada do fogo amigo e das puxadas de tapete

Editorial – Eleições 2018 em Rondônia: começou a temporada do fogo amigo e das puxadas de tapete

Porto Velho, RO – Na última quarta-feira (31) o jornal eletrônico Rondônia Dinâmica publicou entrevista exclusiva com o deputado federal constituinte e fundador nacional do PSDB José Guedes, ex-prefeito de Porto Velho.

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As declarações prestadas pelo tucano são sintomáticas no sentido de explanar de vez o panorama real das eleições no Brasil inteiro: não existem amizades tão sólidas que não possam se desfazer; não há anúncios certeiros que não possam esmigalhar.

Aliás, não é uma tendência apenas externa. O fogo amigo, conhecido ainda como puxada de tapete, vulgo rasteira, também ocorre internamente e talvez seja o pior dos baques aos pretensos concorrentes que, antes mesmo de anunciar postulação, sonham acordados com parcerias as quais jamais irão usufruir.

A crise interna deflagrada por Guedes no ninho tucano expôs Expedito Júnior que, esgueirando-se, pretendia procrastinar posicionamentos oficiais até os quarenta e cinco do segundo tempo.

O próprio presidente da Assembleia Legislativa (ALE/RO) Maurão de Carvalho é vítima do friendly fire e serve de exemplo sobre como as tratativas prévias não significam absolutamente nada no subsolo político. Em julho de 2017, Rondônia Dinâmica publicou editorial esmiuçando as informações dos bastidores à época. Elas indicavam que o MDB – que ainda tinha o P – estaria operando estratagema obtuso a fim de lançá-lo fora do baralho.

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Antes dessa operação malsucedida capitaneada pelos flancos emedebistas, Maurão já havia sido estocado e sua pré-candidatura desovada pelo PP de Ivo Cassol. À tração, o deputado respondeu com uma das frases de maior eco e perpetuação da histórica política de Rondônia:

Quem quis tudo ficou sem nada – declarou após assistir ao declínio dos intentos cassolistas naquele distante 2014.

Tratado como coringa, a surpresa do jogo, o governador Confúcio Moura (MDB) foi lançado por sua legenda como pré-candidato ao Senado Federal para fazer dobradinha com o senador Valdir Raupp (MDB).

Tentou, sem lograr êxito, entabular acordo político com o vice Daniel Pereira (PSB) antes de desembarcar do Palácio Rio Madeira, blefando acerca das perspectivas diante de uma possível recusa que acabou se concretizando. O tom da conversa com Daniel seria “Só saio se isso, aquilo e aquele outro”.

Papo furado pra ganhar vintém!

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A postura do pessebista confrontado fora a declaração de apoio personalíssimo a Confúcio – e só. Todos os demais esforços de Daniel estarão voltados à pré-candidatura do senador Acir Gurgacz (PDT). Como Moura não pode ficar sem mandato, fingiu que não foi contestado e seguiu à risca o que já havia há muito determinado para si.

Sem contar que, antes disso, o chefe do Executivo teria se comprometido a abandonar o navio e sair de cena para dar guarida às aspirações a seu redor. Não só deixou de fazê-lo como colocou sua sigla contra a parede: ou aceitava sua condução ao Senado, ou acabaria espectadora de sua migração a outro partido.

Não há mais santos. Desconfie dos apertos de mãos. Chegou a hora da traição, da deslealdade e do chamuscar aleatório.

O homem desleal não tem palavra ou gratidão, move-se pela cegueira do desrespeito e ambição.
– Autor desconhecido

 

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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