Editorial – Intervenção federal nos presídios de Rondônia representaria derrota gigantesca do governo Marcos Rocha ainda no primeiro semestre

Editorial – Intervenção federal nos presídios de Rondônia representaria derrota gigantesca do governo Marcos Rocha ainda no primeiro semestre

Na queda de braço entre os agentes penitenciários e o Executivo, o governador está com a vantagem. Lembre-se: Sérgio Moro não tem carta branca

Porto Velho, RO – O fetus in fetu, ou gêmeo parasita, seria a melhor alegoria para representar possível intervenção federal nos presídios de Rondônia caso o pleito do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Singeperon) destinado ao quase superministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro, seja atendido.

Estamos falando de eventual intercessão da União em um setor estadual que já está interposto pela Polícia Militar (PM/RO) desde o decreto assinado pelo atual governador no dia 24 de janeiro de 2019.

E o retrato do panorama estabelecido é tragicômico.

A crise no sistema penitenciário, portanto, ao menos na visão dos agentes, só deve ser amenizada se o governo Bolsonaro intervier em outra gestão essencialmente bolsonarista, hoje comandada pelo amigo e correligionário Coronel Marcos Rocha (PSL).

E infelizmente para os agentes penitenciários rondonienses, na queda de braço entre a categoria e o Executivo estadual – azar o deles, claro – a vantagem ainda está com Rocha. E por um motivo muito simples, talvez até ignorado: a carta branca concedida por Messias a Sérgio Moro está encardida, esbodegada, atualmente mais voltada ao bege, amarelo queimado ou outro tom apastelado qualquer do que necessariamente para a cor da paz.

Desde a situação com Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, os poderes e a influência do outrora magistrado aclamadíssimo pela atuação em processos ligados à Operação Lava Jato estão em xeque.

Moro não fará o que bem entender como lhe fora prometido antes de assumir o posto de ministro. Logo, por analogia ao caso Szabó, se, após estudar a situação levada ao Ministério compreender a intervenção federal na intervenção militar operada hoje nos presídios de Rondônia como atuação necessária, a intenção dificilmente prosperará.

Se sair do papel, ou seja, da carta estropiada já citada, correrá novamente o risco de ser desautorizado pelo presidente e escarnecido tanto pela imprensa quanto através da opinião pública.

Em relação à situação específica, qualquer iniciativa espontânea esbarrará no compadrio entre o capitão do Exército e o coronel da PM/RO – ambos oficiais reformados.

Isso porque – é óbvio – a hipotética intervenção do Ministério da Justiça e Segurança Pública representaria uma derrota estrondosa para o governo Marcos Rocha já nos primeiros seis meses de gestão.

A administração dos presídios praticada pela PM/RO soaria, assim que deposta, como ato desesperado de um governo incapaz de dialogar, sem técnicos e especialmente mal assessorado.

Com a greve dos agentes deflagrada, a pressão aumenta sobre Marcos Rocha, que fica, desde agora, numa sinuca de bico enfrentando as sequelas da primeira grande paralisação com o Estado sob suas rédeas.

Basta, por outro lado, uma conversinha ao pé do ouvido com o amigo Bolsonaro para que Moro fique por Brasília mesmo, bem longe daqui; agora, o fato político já está instalado – e é impossível voltar atrás.

Fabiano Bordignon, diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), órgão integrado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, já avisou oficialmente a Daihane Regina Lopes Gomes, presidente do Singeperon/RO:

“Ao ensejo, reforçamos que o DEPEN está à disposição do SIGEPERON e do Estado de Rondônia para cumprir seu papel como órgão executivo da Polícia Penitenciária, inclusive na mediação da crise instalada e na melhora gradativa da qualidade dos serviços e do ambiente de trabalho”.

A manifestação, por si só, já deixa claro que a administração não vai bem. Quando um órgão federal se coloca à disposição para mediar crise regional com pouco mais de três meses de governo, o alerta é óbvio, ainda que nas entrelinhas: mesmo em leve vantagem na queda de braço com a categoria, o membro superior do regente do Palácio Rio Madeira começa tremular e a ceder – é inegável.

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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