O medo da urna chega a Rondônia

O medo da urna chega a Rondônia

Ivo Cassol e Lula em Rondônia / Foto: Gilmar de Jesus

Porto Velho, RO – Há duas personalidades que se distinguem em praticamente tudo no quesito vida pública. O primeiro é Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República; o outro, o senador de Rondônia Ivo Narciso Cassol (PP), que já nos comandou por dois mandatos consecutivos.

Você pode – e deve – pensar o que quiser de ambos. Pode amá-los e exaltá-los. E também pode odiá-los, execrá-los, detestá-los e amaldiçoá-los. Faz parte do contexto democrático dar vazão aos sentimentos em relação a nossos políticos e é salutar colocar as cartas na mesa para que possamos fomentar o debate.

Para fins de justiça, relembro: o petista fora recentemente sentenciado a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença saiu das mãos do juiz federal Sérgio Moro, espécie de herói transitório que os brasileiros tendem a forjar, criar e exaltar a cada temporada de caça.

Já o progressista Cassol foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por fraudar licitações à época em que era prefeito de Rolim de Moura.

Nenhum dos dois foi pra cadeia.

Lula, porque autorizado pelo benevolente e quase corajoso Moro a recorrer em liberdade; logo, o TRF-4 definirá seu destino. Mantida a decisão, levando em conta aplicação do entendimento do próprio STF, o colegiado poderá mandar prendê-lo.

Narciso, paralelamente, vê seu destino político arrastar-se no mesmo STF que, há muito, protela decisão final sobre seu encarceramento ou não.

Amados tanto quanto odiados. Repelidos tanto quanto aclamados. Processados. Condenados. Livres.

Essas não são as únicas características que ligam as figuras mais que dispares de Lula e Cassol.

Seus adversários, agoniados com o potencial dos ex-mandatários, querem desesperadamente vê-los longe das urnas. É um reflexo do que ocorre neste novo Brasil da puxada de tapete, da tomada de Poder à força. Um País que, diferentemente dos ditames da evolução, galopeia para trás na velocidade da luz.

Considerado o maior líder popular da história brasileira (eleito um dos mais influentes do mundo pela Time em 2010), você gostando ou não, Lula surge em primeiríssimo lugar em praticamente todos os cenários nas pesquisas realizadas até agora e tem grandes chances de voltar ao Alvorada através de uma coisinha boba, mas eficiente, que considero o apogeu da democracia: voto. Cassol, idem. A diferença é que, fosse eleito governador de novo, moraria na estrutura que edificou, o Palácio Rio Madeira, residência atual do peemedebista Confúcio Moura (PMDB).

Criminosos? Inocentes? O Poder Judiciário, após exaustiva análise de todos os recursos possíveis dispostos em nossa Carta Magna,  dará a palavra final encartando um dos dois dizeres nas respectivas testas dos réus.

Até lá, honestamente, não há pleito que se preze sem a presença dessas personalidades emblemáticas e a bagagem de coisas boas e ruins que carregam consigo e suas biografias.

Fato é que a ‘urnofobia’, termo técnico inventado para designar o popular medo da urna, chegou forte a Rondônia. Os sintomas são: concorrentes de cabelo em pé; exposição exagerada na mídia; ofensas deliberadas em redes sociais e a judicialização prematura do processo eleitoral.

Autor / Fonte: Vinicius Canova

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