OPINIÃO: Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

OPINIÃO: Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

O deputado Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), fez duras críticas ao atual governo. Em tom de aconselhamento a Bolsonaro, a quem chama de amigo e em quem diz confiar, Feliciano afirma que a comunicação do governo está péssima, que ministros estão deslumbrados com o poder. E está correto.

Na visão dele, o governo precisa criar um grupo política e intelectualmente preparado. “Ou vocês criam um grupo política e intelectualmente preparado ou todos os dias irão sangrar", afirmou.

Parte do texto acima foi publicado em rede social pelo deputado Marco Feliciano como alerta ao governo Bolsonaro. Guardadas as devidas proporções o mesmo ocorre em Rondônia com o governo do Estado.

Apesar de pouco mais de sessenta dias no comando do Estado o Poder Executivo, as ações do Poder Executivo estão bem abaixo do esperado pela população que confiou no novo governo, que, ainda, não disse a que veio e o que realmente pretende. Não basta combater a corrupção, tônica dos discursos do governador Marcos Rocha (PSL) e obrigação de qualquer cidadão de bem é preciso mais, muito mais.

Na Assembleia Legislativa, pelo menos até agora, não foram apresentados projetos relevantes, a não ser um pedido de empréstimo de US$ 30,8 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os recursos financeiros são para execução do Projeto de Modernização da Gestão Fiscal de Rondônia (Profisco II), para a Secretaria de Estado de Finanças (Sefin) instalada recentemente num moderno e suntuoso prédio na Avenida Tiradentes.

Assim como o governo federal, que tem o presidente Bolsonaro como experiente político, no segmento legislativo e não no executivo, está o governo de Rondônia, mas com um agravante: Marcos Rocha exerce pela primeira vez uma função política como executivo.

O conselho, ou sugestão do deputado Marco Feliciano a Bolsonaro se enquadra ao governo de Rondônia. É preciso criar um grupo político-econômico-social para discutir os problemas do Estado, que são muitos. Após amplo debate essa equipe de governo deve analisar o que foi tratado, amplamente, por um apanhado de pessoas, no caso um Conselho e colocar o que for viável na prática.

Na administração pública é fundamental ouvir, discutir, analisar, antes que uma decisão seja tomada, pois o político eleito, através do voto, recebe um cheque assinado pela população para assegurar saúde, educação, mobilidade (ruas, avenidas, estradas, rodovias, calçadas, etc.), segurança, emprego e uma vida digna, não importando a profissão que a pessoa exerça.

Sempre haverá o pobre, o rico, o remediado econômica e financeiramente, mas é preciso garantir dignidade para as famílias, independente de a cor, credo ou posição social. Vivemos em um país laico.

Governo (federal, estadual, municipal) não é Quartel, Caserna onde o Comando determina o que deve ser executado e o comandado cumpre. Na administração pública são necessários debates, diálogos e o aval da maioria, porque é impossível o 100%, que não quer dizer concordância, mas subserviência.

São pouco mais de dois meses de governo federal e estadual, prazo muito curto para cobranças veementes, mas são necessárias ações rápidas e que estejam voltadas para os interesses sociais e econômicos da maioria da população. Por enquanto o governo tem a expectativa e a confiança do povo, mas com o passar do tempo as cobranças vão ampliando e as exigências também.

Deputados estaduais reclamam que não estão sendo ouvidos e muito menos recebidos para discutir os problemas emergentes do Estado e dos municípios, pela direção do DER, principalmente. Marcos Rocha já “apanhou” bastante nas duas semanas de trabalho do Parlamento Estadual devido ao deslumbre e excesso de “otoridade” de alguns assessores diretos. A parceria que predomina nos discursos do Poder Executivo não se formata na realidade, porque esbarra na sonolência e prepotência de boa parte da equipe de governo.

O Legislativo não faz estradas, escolas, postos de saúde; apenas leis, fiscaliza e cobra ações do Executivo, mas ao mesmo tempo pode mudar a Constituição Estadual, pois o plenário é soberano.

Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Autor / Fonte: Waldir Costa / Rondônia Dinâmica

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